
Técnica
O meu BCD mantém-me na vertical à superfície e tenho dificuldade em manter o trim debaixo de água. O que devo fazer?
Assim que deixa de bater as barbatanas, as pernas descem, a cabeça sobe e, em poucos segundos, está quase de pé debaixo de água. Para continuar na horizontal, tem de nadar, arquear as costas ou fazer pequenos movimentos com as mãos. É cansativo e pode dar a sensação de que o BCD está sempre a lutar contra si.
Mas há duas situações diferentes nesta pergunta: a posição à superfície e o equilíbrio debaixo de água. Não têm necessariamente a mesma causa.
À superfície, pode simplesmente descansar
Se o BCD insuflado o mantém na vertical, com a boca e o nariz bem fora de água, isso, por si só, não é um problema. Essa posição é perfeitamente adequada para esperar pelo barco, falar com o companheiro ou descansar depois da subida. Não precisa de ficar na horizontal só porque essa é a posição que procura durante o mergulho.
O que importa é conseguir ficar à superfície sem esforço desnecessário. Se tiver de bater constantemente as barbatanas para manter a cara fora de água, se o equipamento o empurrar para a frente ou se o colete subir e apertar o pescoço, vale a pena verificar a quantidade de ar, o ajuste e a distribuição do lastro. Retirar ar até a posição parecer mais bonita não é a solução: precisa de flutuabilidade positiva para descansar à superfície. [4]
Debaixo de água, a questão é outra: o que acontece quando para de nadar?
Debaixo de água, muitas vezes é uma questão de distribuição do peso
A flutuabilidade permite manter a profundidade. O trim é a orientação do corpo a essa profundidade. É possível ter flutuabilidade neutra e, mesmo assim, ficar com as pernas para baixo ou a cabeça demasiado baixa.
O BCD faz parte desse equilíbrio, mas não trabalha sozinho. A posição da garrafa, o local onde transporta o lastro, a flutuabilidade das barbatanas, o fato e a postura alteram a forma como o conjunto fica suspenso na água. Barbatanas pesadas, por exemplo, podem contribuir para que as pernas desçam. E dois mergulhadores com o mesmo colete podem precisar de ajustes diferentes. [1]
Por isso, comece por perceber se o problema é excesso de lastro ou a sua distribuição. Com lastro a mais, precisa de colocar mais ar no BCD para compensar. Fica então com mais peso a puxar para baixo e mais volume de ar a puxar para cima; isso pode tornar o controlo menos confortável. Mas ter a quantidade total certa também não garante uma posição horizontal: o local onde esse peso está faz diferença. [1] [2]
Se as pernas descem sempre, pode fazer sentido experimentar, com um instrutor, deslocar uma parte do lastro existente para mais perto da zona superior da garrafa ou ajustar ligeiramente a altura da garrafa. É uma hipótese a testar, não uma receita universal. Se já tende a ficar de cabeça para baixo, essa mesma alteração pode piorar o equilíbrio.
Como isto se aplica ao Ghost e ao Hydros X
O XDEEP Ghost e o Colete BCD Scubapro Hydros X são bons exemplos de duas construções diferentes. Ambos podem ser usados com um trim confortável, mas não distribuem a flutuabilidade da mesma maneira.
O Ghost é um sistema leve, de asa, para uma garrafa, com a câmara de ar atrás do mergulhador. A configuração permite ajustar a posição relativa dos componentes e utilizar soluções de lastro adequadas ao conjunto. A secção superior compacta da asa foi concebida para reduzir a tendência para empurrar o mergulhador para a frente à superfície. Isso não significa que a asa coloque automaticamente todos os mergulhadores na horizontal: a posição da garrafa, o lastro e o resto do equipamento continuam a contar. [5] [6]
O Hydros X é um colete de ajuste frontal, com elementos moldados nos ombros e no encosto em Monprene, bolsos principais de lastro de libertação rápida e bolsos de trim atrás. A SCUBAPRO descreve a flutuabilidade na zona frontal como uma ajuda para manter uma posição vertical confortável à superfície. Portanto, sentir que este colete o mantém «de pé» enquanto espera pelo barco não demonstra uma avaria. Se as pernas também descem debaixo de água, já faz sentido verificar o ajuste, a quantidade total de lastro e a distribuição entre os bolsos principais e os de trim. [7]
A diferença útil não é «a asa dá trim e o colete não». É perceber que ajustes o seu equipamento permite e como o conjunto se comporta consigo dentro dele.
O que experimentar no próximo treino
Peça a um instrutor para observar a sua posição de lado e, se possível, gravar um vídeo curto. A forma como sente o corpo nem sempre corresponde à posição que realmente tem na água.
Numa zona de pouca profundidade, em condições controladas, encontre flutuabilidade neutra e pare de bater as barbatanas. Respire normalmente, sem prender a respiração, e deixe o corpo mostrar para que lado tende a rodar. Se tiver de fazer movimentos contínuos para manter a posição, é essa tendência que interessa corrigir.
Depois, altere uma coisa de cada vez: ajuste do arnês ou do colete, altura da garrafa, distribuição de uma pequena parte do lastro. Se mudar tudo ao mesmo tempo, não vai saber o que ajudou. Ao deslocar a garrafa, siga as instruções do fabricante e confirme a fixação, o acesso ao equipamento e a liberdade de movimento da cabeça. Não concentre todo o lastro em bolsos que não consegue largar apenas para melhorar o trim; tem de saber como libertar peso numa emergência.
A verificação do lastro também deve ter em conta a fase final do mergulho, quando a garrafa está mais leve. Um conjunto que parece fácil de equilibrar com a garrafa cheia pode comportar-se de outra forma perto do fim. Faça essa verificação com um instrutor, mantendo a reserva de gás prevista, em vez de gastar a reserva para completar o teste. [1] [2]
O objetivo é simples: à superfície, conseguir descansar; debaixo de água, conseguir parar sem o corpo se pôr imediatamente a rodar. Quando o conjunto está equilibrado, deixa de precisar de nadar só para manter uma posição. Se houver uma fuga ou outro problema de funcionamento no BCD, é necessária assistência técnica; os ajustes de trim não corrigem uma avaria.

